Obs.: Caso você tenha entrado nesta postagem procurando imagens ou vídeos do acidente que vitimou Tomizawa, não encontrará nada disso aqui.
Shoya Tomizawa, de 19 anos, sofreu um acidente fortíssimo durante o GP de San Marino, disputado na pista de Misano. Cerca de uma hora depois, o japonês, que disputava a Moto2, categoria de acesso à MotoGP, foi declarado morto devido a complicações decorrentes das múltiplas fraturas oriundas do acidente.
Sempre que algo assim acontece, passo o dia ouvindo dezenas de opiniões sobre os riscos do esporte motor, seja ele uma corrida de carros, motos ou qualquer tipo de veículo automotor. Muito se fala sobre ser perigoso, sobre valer a pena por a vida em risco e outro tanto de opiniões nessa linha.
Ninguém fala, entretanto, sobre esse menino ter morrido fazendo aquilo que gostava. Ele, assim como outros tantos que perderam a vida em competições automobilísticas, estava correndo, não para vencer uma prova ou um campeonato, mas, sim, para alcançar um sonho de criança. algo que ele idealizou e teve coragem, talento e disposição suficientes para buscar. Shoya era um entre poucos que conseguem transformar o sonho em realidade ou, pelo menos, faz de tudo para isso.
A pergunta mais importante é: ele sabia dos riscos que corria? Provavelmente sabia que podia perder a vida correndo e, mesmo assim, aceitou o risco. Todo cara que se dispõe a passar a vida acelerando um veículo a mais de 250 km/h e passando a centímetros de um muro tem plena consciência que coloca sua vida em risco a cada curva, mas faz questão de guardar isso com ele.
Acredito que essas pessoas que, numa hora dessas, passam a perguntar se um piloto sabe que pode morrer correndo estão, na verdade, tentando deixar claro que a culpa é apenas do piloto e nunca daqueles que torcem, incentivam, movimentam o circo que leva essas máquinas maravilhosas à velocidades absurdas e, por vezes, causa tragédias como a de hoje, em Misano. Na verdade, ninguém é culpado. Eles ficam lá, fazendo o que mais gostam e nós, pilotos frustrados, ficamos aqui, torcendo por eles e imaginando como seríamos no lugar deles.
Tomizawa deve ser lembrado pela coragem que teve em subir em uma moto, sabendo que um acidente fazia parte do jogo e, mesmo assim, fez da sua pilotagem um ato de prazer, de realização pessoal. Ele foi mais um que saiu do plano físico para entrar em uma galeria de heróis, que trocam a fama efêmera de uma ou duas vitórias pela glória eterna de terem dado a vida por aquilo que amavam. Essa galeria, aliás, não possui apenas atletas, mas isso já é outra história...



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