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Vídeo - A vergonha do GP dos EUA de 2005

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

O público, incrédulo, vendo a largada com apenas 6 carros no grid.

Falando da volta de Narain Karthikeyan à Fórmula 1 no post anterior, destaquei seu melhor resultado na categoria: o "glorioso" 4º lugar no GP dos Estados Unidos de 2005.
Essa prova, infelizmente, ficou marcada como uma das maiores vergonhas da história recente da F1, graças ao problema enfrentado pela Michelin com os seus pneus e a "birra" de Max Mosley, ávido por fazer o GP acontecer mesmo que fosse preciso passar por cima de riscos sérios à segurança dos pilotos.

Tudo começou porque os pneus Michelin apresentavam um desgaste excessivo aos passarem pela curva 13 (a curva 1 do oval, que, no sentido inverso utilizado na F1, era a curva de entrada da reta). Inclinada, essa curva gerava uma pressão maior nos pneus, que não resistiam e se deformavam. Na sexta-feira, Ralf Schumacher bateu forte com a Toyota em decorrência do estou de um dos pneus na curva 13, iniciando a movimentação da Michelin para averiguação e solução do problema.


A fábrica francesa pediu novos jogos de pneus à matriz, mas ele também apresentaram a falha. Preocupados com a segurança dos pilotos, os chefes das equipes atendidas pela Michelin procuraram a FIA para tentar alguma solução. Paul Stoddart, dono da Minardi (que corria de Bridgestone) conta que muita coisa foi sugerida, mas duas ideias ganharam força: a criação de uma chicane na curva 13 e a invalidação da corrida para o campeonato. Essa invalidação geraria um fato curioso: caso fosse aprovada, a FIA deveria reteriar todo o seu pessoal do circuito, nomeando pessoas não ligadas à Federação para todas as posições. Até mesmo um novo piloto do Safety Car deveria ser posto no lugar do alemão Bernd Mayländer.


Mas, e sempre tem um "mas", mesmo com as propostas aprovadas pelos chefes de equipes e sem a discordância de nenhum dos pilotos (segundo o relato de Stoddart), na hora H, Max Mosley, por telefone, simplesmente deu a carteirada e disse que a prova ia acontecer, sim, sob a chancela da FIA, sim, com todo mundo correndo bonitinho, sim e sem choradeira, sim!


As equipes da Michelin resolveram, então, boicotar a prova. Conta-se que a Bridgestone pressionou as pequenas Jordan e Minardi para que alinhassem seus carros e corressem normalmente com a Ferrari, outro time calçado pelos japoneses.


No domingo, todos os carros alinharam-se no grid para a volta de apresentação. Antes da polêmica curva 13, todos os carros com Michelin entraram nos boxes e não disputaram a prova. Pateticamente, Ferrari, Jordan e Minardi alinharam seus bólidos, largaram e ficaram rodando por 73 voltas perante as vaias e objetos arremessados na pista pelo público presente. O único destaque na pista foi a quase cagada protagonizada por Barrichello, que resolveu engrossar para cima de Schumacher, quando o brasileiro liderava e o alemão voltava da sua última parada. As Ferraris se encontraram no fim da reta e Rubens tentou dar um "migué", acelerando e brigando para não perder a liderança. Michael ignorou a tentativa de golpe, manteve o seu traçado sem tirar o pé e jogou Barrichello para fora da pista. Entre mortos e feridos, todos se salvaram sem ferimentos.


A Ferrai fez 1-2 com Schummy vencendo, seguido por Barrichello. Essa foi a última dobradinha dos dois na Ferrari. Tiago Monteiro (Jordan) ficou em terceiro, conseguindo os primeiros pontos e o primeiro pódio para um piloto português na F1. Narain Karthijeyan (Jordan) foi o 4º, seguido de longe pelas Minardis de Christijan Albers e Patrick Friesacher. Assim como Monteiro, os três últimos marcaram seus primeiros pontos na categoria. Os dois pilotos da Ferrari pegaram seus troféus no pódio e sumiram, deixando Tiago Monteiro em júbilo pelo feito alcançado de uma forma pouco convencional.


Entre os pilotos da Michelin, uma curiosidade: a prova marcaria o retorno às pistas de Ricardo Zonta, piloto de testes da Toyota, que havia feito algumas provas em 2004 e estrearia em 2005 no lugar de Ralf Schumacher. Com a decisão de retirada dos carros, Zonta não correu, mas a etapa é considerada para as estatísticas do piloto. A palhaçada toda de Indianápolis serviu para enterrar de vez o GP dos EUA, que vinha cambaleando ano após ano, sem alcançar o sucesso e o lucro pretendido por Ecclestone, Mosley e cia.


O circo armado no domingo foi tão "emocionante"
que os melhores momentos da corrida conseguem ser resumidos em parcos 30 segundos:



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